sexta-feira, 21 de dezembro de 2018


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Você me pediu pra colocar mais alma na minha dança. 

(...)

E você está certa, eu não o faço. 

Colocar a alma em quase tudo significaria admitir sentir algo que fica em meio a tristeza, que meu bem, não costumo repassar nem no meu olhar. Meus olhos são vidraças que com muito esmero as gotas poliram e as rachaduras dos maus-tratos pessoais transparecem no extravio sereno de qualquer narrativa que participo, eles são resultado dessa pequenina ilha que imagino ser e onde eternamente... chove. Meu bem, meus olhos me assustam, eles falam a todo momento sobre coisas que não sei pronunciar.


Tenho a vaga lembrança que tudo isso começou numa semana qualquer da infância, na qual fiquei doente e os professores decidiram ensinar as crianças como conviver com "os outros" e eu desavidamente... faltei.

E "meu bem", a expressão a "iterar" pode te soar genérica, mas meu olhar reprisado ao teu é coisa nova, são as frestas da gaiola onde você pode assistir o que tanto queria, 

um cantinho da minha alma.






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