quinta-feira, 15 de maio de 2014

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Essa é uma historia para aqueles que não acreditam em como qualquer situação extraordinariamente boa possa torna-se uma estupidamente ruim, sem o menor vestígio de responsabilidade.

Uma certa vez, um pequeno garoto (e não havia termo melhor pra falar sobre ele) cujo nome era Nãoimportaqualonome (não pensei em jeito mais criativo pra dizer que seu nome não importa) nasceu.  Ele era filho de um Rei e uma Rainha, sem historias de filhos bastardos, incestos ou coisa parecida. Esse poderia parecer o melhor contexto pra que aquela criança nascesse, quer dizer, uma vida toda a frente onde existia tudo.


Ele nasceu cego e com o corpo fraco.



E esse é um daqueles tipos de coisa que aquela família em especial não poderia aceitar, quer dizer, ele era o primogênito, o primeiro a nascer de alguém, o primeiro a suceder o Rei, e ali estava o pior contexto pra nascer filho de alguém que poderia lhe dar tudo; ser um que não poderia ter tudo aquilo,


Cego

e

fraco.


E como esperado, seu destino era a morte.

Quer dizer,

Tentaram mata-lo sim, o abandonaram por 3 dias inteiros numa floresta aos arredores do castelo. A rainha foi pessoalmente buscar o corpo, afinal, era seu filho (havia um sentimento materno ou algo que o valha), e eu nem quero dizer de quem foi a obra dele ter sobrevivido. Exato, uma criança cega e fraca sobreviveu 3 dias numa floresta sem o menor parecer de alguém. Que podia ser isso?

Como isso nunca foi explicado na historia vamos ficar com o que sucedeu; A mãe (Rainha e Mulher), ao ver a criança viva a apanhou nos braços e levou de volta ao castelo. Ela simplesmente não podia aceitar aquilo (mais um pouco de espírito materno a essa altura do abandono).

Ninguém mais teria coragem de matar aquela criança, nem seus pais, que até então agiam como se aquela vida fosse seu pertence.

E assim foi feito.

E ele teve um final feliz, quer dizer, final feliz poderia ser aquilo que não resulta em sua morte? Se esse for o caso, o pequeno Nãoimportaqualonome finalmente viveu feliz numa masmorra surpreendentemente alta, uma daquelas apenas com uma janela, portão de aço, pintura das paredes a lá pedras de granito, cama de palha e banheiro balde.

Seus contatos humanos eram; A conversa dos dois guardas da porta, uma pequena Ama de leite que cuidou dele desde então, e apenas isso, sem por mais uma palavra, e uma jovem (Que já será comentada em instantes) que substituiu sua ama quando ela morreu.

O tempo passou.

Aos 16 anos sua Ama morreu e essa jovem a substituiu. Um garoto cego tem seus próprios meios de captar a beleza de alguém, e isso era obvio pelo jeito que seu coração batia quando ela chegava perto. Não importava a vergonha e angustia de ser cuidado de ponta a ponta por alguém tão próximo/longe, ou longe/próximo, ou qualquer um dos dois, e nem tão pouco o fato de ouvir uma voz que significava algo apenas com comandos "vire-se", "deite", "levante". Isso sempre foi o suficiente.

Em um dia qualquer, enquanto contemplava mais uma vez sobre aquilo que sentia em seu coração
, as primeira palavras que ele ouviu sem sentido de ordens, sem motivos aparentes:




                                                      "Tudo que eu sinto por você é pena"



Foram palavras duras.
Mas que precisavam ser ditas.


Não era esperado que um garoto de 16 anos em um mínimo de treino social entendesse o que é levar um fora de modo maduro. Mas, ao que parece, ele ficou em silêncio e só, não fazia diferença, era o de costume,




Silêncio.




Em um belo dia (embora não pudesse ser visto, ele tinha certeza que o era pelo calor em suas bochechas e o vento em seu rosto/cabelos) enquanto estava sentado em frente a sua janela ele ouviu o que poderia ser sua salvação,



E finalmente sua salvação!



Palavras fáceis e rápidas, que corriam em frases: " Imagine de tudo, algo que você queira muito, qualquer coisa nesse mundo, e está na hora de você ter. Estou te dando uma nova chance. Libertar-se disso tudo.  Vou te dar vida nova. E assim será. Livre-se disso que não te pertence mais. A porta de entrada é a janela."
Aquelas palavras pareciam magia. e eram sua chance, sua única chance. Em 16 anos nada até ali foi vivido. Não havia tempo pra pensar.




E ele se jogou.







Julguem como quiser o final. Depois de 16 anos, aqueles que não imaginavam um final feliz pra esse história, e aqueles que imaginavam um final feliz para essa historia, julguem como quiser.






Ele morreu aos 16 anos, após voar por alguns instantes. Morreu sem um fio de dor.







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