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" Três fios de cabelo, eram apenas três fios de cabelo, mas os conseguia ver com total nitidez. Meus sentidos nunca estiveram tão aguçados e só estavam porque aqueles pequenos fios tentavam roubar de mim aqueles doces olhos, não queria que nada os escondesse. O melhor momento do dia; usar minha mão direita para caminhar sobre sua pele e levar aqueles pequenos incômodos até sua orelha.
Sabia que aquilo não daria certo, mas um tipo de osmose interpessoal estava chegando; e a cada instante eu chegava mais perto com ela.
Ela levantou e afastou-se, sabia muito bem que o " território do inimigo" sempre será desvantajoso. Ficou perto da porta com a cabeça baixa:
- Não devemos misturar as coisas.
Ele também levantou, expressava um sorriso tímido,um daqueles que se faz em momentos ruins:
- Eu já misturei a muito tempo, e você sabe disso.
Ela não sabia o que dizer, sabia que a implacável razão dele sobre o assunto não cairia de forma nenhuma. Ele a via de forma transparente; sabia o que se passava ali, as causas, motivos e superficialidades daquela historia. O motivo de continuar ainda em pé, distante, não abordava a razão e passava para o irracional; só isso a segurava ali sem ter que cair em prantos, ficar tão envergonhada de si mesma a ponto de se transformar apenas em um ponto naquela sala.
Cansado de tudo aquilo, estava na hora; ele só saiu pela porta. Não disse nada, não olhou para trás, a partir dali não havia mais o que se fazer.
Ficando sozinha na sala, ela desceu vagarosamente com as costas abraçando a parede. Não sabia o que havia acontecido, sentiu-se só e nada mais. "
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