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Penso em como as ilusões conseguem ser tão satisfatoriamente ludibriadoras. Elas mantiveram por muito tempo um teto sobre minha cabeça, que antes de tudo era importante porque estava também sobre a sua.
O peso? Não sentia nenhum, mesmo vendo agora que ele estava todo em meus ombros a sensação de conforto é e sempre vai ser por vezes maior que toda dor que era provocada.
Não sei bem o que me enganava: achar que esse peso não existia, que esse peso estava sobre nos dois, que você fazia o possível para segura-lo também, achar que eu conseguiria manter aquela casa de pé.
Nada importa, o importante era que dia 23 estava por vir e assim que chegou fez o favor de derrubar tudo que me deixava cego. Só restamos eu e você, sem teto. Ainda não sei se será assim ou melhor assim, prefiro minha doce ilusão, eu me enganava muito bem.
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