terça-feira, 4 de outubro de 2011

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Penso em como as ilusões conseguem ser tão satisfatoriamente ludibriadoras. Elas mantiveram por muito tempo um teto sobre minha cabeça, que antes de tudo era importante porque estava também sobre a sua.
O peso? Não sentia nenhum, mesmo vendo agora que ele estava todo em meus ombros a sensação de conforto é e sempre vai ser por vezes maior que toda dor que era provocada.
Não sei bem o que me enganava: achar que esse peso não existia, que esse peso estava sobre nos dois, que você fazia o possível para segura-lo também, achar que eu conseguiria manter aquela casa de pé.
Nada importa, o importante era que dia 23 estava por vir e assim que chegou fez o favor de derrubar tudo que me deixava cego. Só restamos eu e você, sem teto. Ainda não sei se será assim ou melhor assim, prefiro minha doce ilusão, eu me enganava muito bem.



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Ando meio assustado,
Meu futuro é incerto,
E os passos estão bem maiores que a distancia entre minhas pernas.

Todos os lados andam cheios de certezas,
Os caminhos ficaram mais tortos,
E estou com saudade de coisas que não deveria....

[E é só você que tem a cura pro meu vicio de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo aquilo que eu não vi...]


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domingo, 2 de outubro de 2011

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Lá do alto da ponte, que passa por cima do rio das minhas magoas, posso sentir os ventos uivantes passarem. Eles parecem uma matilha de lobos assustados que fogem daquilo que não podem ver, fogem daquilo que todos sabem que existe, fogem sem olhar pra trás, aterrorizados com o que está por vir.
E lá do alto da ponte, posso sentir o vento passar...
Sentir o vento levar o meu eu-tristeza, eu-angustia, eu-dor, eu-solidão e o eu-alegria também; poque de todos eles sempre quero ter novos pra viver.
E lá no alto da ponte também estará você, me segurando pela cintura, pra segurar aquilo que ficou e reconstruir os Eu's que ainda estão por vir



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